Anticoncepcional masculino é eficaz, mas gera controvérsias

Saiba mais sobre o Anticoncepcional masculino

1199515-1155-cpGrande parte da lista de métodos contraceptivos é de responsabilidade das mulheres. Aos homens sobram o preservativo e a vasectomia. Mas há a possibilidade de que eles passem a dividir com as parceiras mais uma maneira de prevenir a gravidez. É que cientistas chineses relataram resultados positivos ao testar um anticoncepcional hormonal em homens. De acordo com o Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, que divulgou a pesquisa, o índice de falha do produto é de 1,1%.

A pergunta que fica no ar é se eles estão preparados para receber a novidade, caso seja aprovada e chegue ao mercado brasileiro. Segundo o psicólogo Ailton Amélio da Silva, do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), a resposta é não. “Os homens, de maneira geral, vão ter receio de que o produto mexa com a sexualidade, o desejo, a ereção. Essa é uma área muito sensível para nós”, diz o professor e também autor do livro Relacionamento Amoroso: Como Encontrar Sua Metade Ideal e Cuidar Dela, que será lançado neste mês.

Aliás, na opinião do profissional, o produto pode trazer conflitos à vida de alguns casais. “Daria problema de cara. As mulheres adorariam que os homens dividissem essa tarefa de prevenção e muitos não vão aceitar. Os atritos vão ter de ser resolvidos com conversas e, se isso não solucionar o problema, é indicado procurar um psicólogo.”

Opinião
Para tirar a história a limpo, o Terra perguntou a alguns homens se usariam ou não o produto. Alguns responderam que tomariam o remédio, mas há algumas ressalvas, como saber dos efeitos colaterais e se o uso prolongado não os deixaria estéril. Veja suas opiniões:

“Sim, por quatro simples motivos: odeio preservativo, não confio em qualquer mulher que diz usar anticoncepcional, prefiro o método a ter um filho fora de hora, além de ser uma forma de colaborar com a liberdade das mulheres.” Felipe Romano, 23 anos, jornalista

“Não, pois acho que os métodos contraceptivos tradicionais, como a camisinha, são muito mais práticos, além de não ser tão cômodo sair para tomar uma injeção mensalmente.” Celso Esteriano Isquierdo, 30 anos, engenheiro

“Sim, porque a minha esposa tem problemas com anticoncepcionais e como só tenho relações com ela, não precisaria da camisinha. Se trouxesse algum efeito colateral, não usaria.” André Luiz Molinari Macieira, 29 anos, técnico projetista

“Sim, com certeza, se não trouxesse efeitos colaterais relevantes. Se fizer com que engorde, por exemplo, não usaria. Mas prefiro que ela tome em meu lugar.” Osmar Mitev, 26 anos, professor de educação física

“Sim, como minha namorada tem problemas para lembrar de tomar o anticoncepcional, usaria também para garantir. Acho uma boa se tiver um preço razoável e for comprovado que não tem efeitos colaterais, porque quero ter filhos e é importante saber se esse medicamento deixa a pessoa estéril.” Obede Júnior, 24 anos, jornalista

“Depende. Se for eficaz, tomaria sem problemas. Mas prefiro que ela tome e eu use preservativos.” Douglas Legori Ribeiro, 31 anos, radialista

“Sim, porque, com certeza, eu nunca esqueceria e evitaria os problemas que a mulher tem. Provavelmente não usaria se trouxesse algum efeito colateral.” Marcelo Rosa, 36 anos, contador

O estudo
A pesquisa chinesa contou com 1045 participantes, de 20 a 45 anos, que receberam injeções mensais de 500mg de testosterona com óleo de semente de chá, como relata o Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism. Foram registradas nove gestações entre as parceiras dos 733 homens que completaram o tratamento por 30 meses, levando a um índice de falha do produto de 1,1%.

Nenhum acontecimento adverso sério foi relatado, segundo a publicação. No entanto, o processo de formação dos espermatozóides de dois homens não voltou à escala normal de referência de fertilidade após a descontinuidade do uso do método. “Apesar dos resultados encorajadores, a segurança deste contraceptivo hormonal exige testes mais extensos, com foco na segurança cardiovascular, da próstata e comportamental”, disse o pesquisador Yi-Qun Gu ao site Science Daily.

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