Nova política de privacidade põe Google e União Européia em rota de colisão

Política de privacidade unificada para mais de 70 serviços começa a valer nesta quinta-feira, 1° de março

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A empresa de internet Google adotou nesta quinta-feira uma nova política de privacidade, apesar dos alertas da União Europeia de que a companhia possa estar violando leis europeias. Com a nova política, dados coletados pelo serviço de buscas da Google podem ser compartilhadas com outras plataformas do grupo, como YouTube, Gmail e Blogger. Na prática, mais de 70 políticas de privacidade de diferentes sites do Google serão unificadas em uma só.

O Google disse que as novas mudanças podem produzir resultados de busca melhores para os usuários que levam em consideração o seu histórico de buscas. Mas a União Europeia anunciou que pretende investigar a nova política de privacidade da empresa.

O bloco europeu delegou à Comissão Nacional de Informática e Liberdade (CNIL), órgão que regula o setor na França, a tarefa de investigar o caso em nome do resto da Europa. A CNIL não adiantou quais seriam os pontos da nova política da Google que ferem a legislação europeia, mas disse que pretende mandar uma série de perguntas ao gigante de buscas até meados de março, como parte da investigação.

O órgão francês fez um apelo ao Google para que a companhia adie sua decisão de adotar as novas medidas. “A CNIL e as autoridades de informação da União Europeia estão muito preocupadas com a combinação de dados pessoais em diferentes serviços”, afirma uma nota da entidade francesa. “Eles têm grandes dúvidas sobre a legalidade e a justiça destes processos, e se eles cumprem as leis europeias de proteção de dados.”

Em resposta, o conselheiro de privacidade da Google, Peter Fleischer, disse que a empresa pretende responder a todas as preocupações da CNIL. “Como vimos diversas vezes na última semana, mesmo com nossa política de privacidade mudando a partir de 1º de março, nosso compromisso com princípios de privacidade continuam fortes como sempre”, escreveu Fleischer, em um blog da empresa. O Google não acatou o pedido do órgão francês de adiar a implementação das medidas.

Entenda as mudanças
O modelo de negócios do Google é baseado no uso de dados coletados junto a seus usuários. Com estas informações, a Google consegue exibir publicidade direcionada aos internautas de acordo com os seus hábitos de navegação.

Até 1º de março, as informações dos usuários eram coletadas e mantidas separadamente por cada serviço Google. Isso significa que qualquer pesquisa no YouTube não tinha impacto na publicidade que aparece nas páginas de buscas do Google ou no serviço de e-mails, Gmail.

As novas regras de privacidade não são opcionais. A única forma de o usuário evitá-las é deixando de usar os sites da Google. As mudanças provocaram uma enxurrada de análises e recomendações em sites especializados. Uma das sugestões feitas aos usuários que não querem ser afetados pelas mudanças é entrar na parte de históricos de pesquisa de cada um dos sites, e ficar constantemente apagando tudo o que estiver ali. No caso da página de pesquisas da Google, os dados estão em http://google.com/history.

O Google montou uma estratégia de comunicação para informar seus usuários sobre todas as mudanças. Vários serviços da empresa exibiram páginas detalhadas logo que o internauta entrava nos sites. No entanto, alguns grupos criticam que as mudanças não foram bem explicadas. Uma pesquisa de opinião da YouGov revelou que 47% dos usuários do Google na Grã-Bretanha não estavam cientes da mudança na política de privacidade.

Segundo a entidade que faz campanha por mais transparência na internet, a Big Brother Watch, apenas 12% dos entrevistados disseram ter lido as novas regras. “Se as pessoas não entendem o que está acontecendo com seus dados pessoais, como elas conseguirão tomar decisões informadas sobre o uso do serviço?”, disse o diretor do Big Brother Watch, que ajudou a fazer a pesquisa da YouGov. “O Google está colocando os interesses de seus anunciantes acima da privacidade dos usuários, e não deveria apressar essas mudanças antes de o público geral entender o que elas significam.”

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