Cordel Encantado, uma obra de arte na TV brasileira

Chega ao fim Cordel Encantado, uma obra de arte na TV brasileira

Cordel Encantado  Cordel Encantado, uma obra de arte na TV brasileira

Sexta-feira vai ao ar o último capítulo da novela das seis Cordel Encantado. E esse promete ser o final de uma obra de arte televisiva com um dos melhores sucessos de crítica e público, como há tempos não víamos em telas brasileiras. Cordel Encantado escrita pela dupla que vem emplacando sucessos seguidos na Rede Globo, Duca Rachid e Thelma Guedes, torna-se um marco nas telenovelas brasileiras, não pelo fato de sua audiência passar boa parte da trama com índices elevados, mas sim por sua primorosa união de talento e uma boa estória para contar.

O primeiro palpite para quem fosse ler a sinopse da trama talvez fosse de mais uma novela frustrante com personagens confusos e tramas perdidas, a aposta foi alta e o acerto maior ainda. Em vez de confusão entre o enredo tivemos uma desenvoltura cinematográfica de todos os núcleos, seja da arriscada união entre cangaço e realeza, seja dos personagens fortes e dos cômicos. Um destaque especial vai para a criatividade das autoras que empregaram um texto magistral em personagens e atores sensacionais. Como não rolar de rir com os núcleos cômicos que não ultrapassaram a linha do exagero e empregaram um tom sutil e ao mesmo tempo delicioso em suas cenas inesquecíveis.

Uma corte real dentro de um cangaço, quem já imaginou isso? Um amor que nasceu na infância entre uma princesa e um filho de um cangaceiro, um tesouro perdido há anos que revelaria segredos que mudariam a história dos personagens. Um profeta enviado por Deus para guiar o povo sofrido do sertão, uma cozinheira com mãos mágicas capaz de despertar nossos mais puros sentimentos. Uma bruxa malvada que tenta fazer de sua filha rainha, um coronel louco apaixonado pela princesa com nome de flor, um delegado medroso e seus soldadinhos de chumbo, um núcleo infantil conduzido por um padre atrapalhado, um repentista gago. Cangaceiros que além de justiceiros lutam por uma causa justa, uma mulher que se veste de homem para lutar por seus ideais. Esses são apenas alguns exemplos das sacadas geniais das autoras em promover um conto de fadas, ou melhor, um cordel encantado na televisão brasileira. Vale ressaltar a importância da direção de Amora Mautner e Ricardo Waddington que souberam conduzir esse cordel da melhor maneira possível.

O sertão brasileiro nas primeiras décadas do século XX, a corte de Seráfia e seus conflitos típicos de reinos europeus. Cangaceiros, nobres e sertanejos uma salada de culturas e espetáculos que resultou em uma das mais belas produções televisivas já apresentadas nas últimas décadas, um Cordel Encantado que se encerra hoje, mas já deixa um verso de saudades nos corações dos apaixonados por televisão.

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