Vídeos do Acidente no Cânion de Capitólio

Cânion desaba, atinge lanchas de turistas e causa morte em Capitólio, MG

Um deslizamento de pedras no Lago de Furnas, em Capitólio, no Centro-Oeste de Minas, atingiu três embarcações com turistas neste sábado (8).

Os dez mortos estavam hospedados em uma pousada em São José da Barra (MG). Eles eram familiares e amigos uns dos outros. Até a noite de domingo (9), cinco pessoas foram identificadas.

Veja abaixo quem são as vítimas da tragédia em Capitólio:

  • Julio Borges Antunes, 68 anos, natural de Alpinópolis (MG). Será enterrado em São José da Barra.
  • Maycon Douglas de Osti, 24 anos, nascido em Campinas. Será enterrado em Sumaré.
  • Camila da Silva Machado, 18 anos, nascida em Paulínia. Será enterrada em Sumaré.
  • Sebastião Teixeira da Silva, 67 anos, natural de Anhumas. Será enterrado em Serrania.
  • Marlene Augusta Teixeira da Silva, 57 anos, natural de Itaú de Minas. Será enterrada em Serrania.
Desabamento de uma coluna rochosa em Capitolio
Desabamento de uma coluna rochosa em Capitólio

Vítimas que ainda aguardam identificação oficial:

  • Homem de 40 anos, natural de Betim (MG) – piloto da lancha
  • Mulher de 43 anos, natural de Cajamar (SP)
  • Homem de 35 anos, natural de Passos (MG)
  • Jovem de 14 anos, natural de Alfenas (MG)
  • Homem de 37 anos, natural de Itaú de Minas (MG)

O que se sabe até agora:

  • O deslizamento ocorreu por volta de 12h30. Ainda não se sabe o que causou o acidente
  • Quatro embarcações foram atingidas, segundo os bombeiros
  • Dez pessoas morreram. Ao menos 2 seguem internadas
  • Uma equipe de mergulhadores está no local e não há previsão de término das buscas (elas foram suspensas durante a noite e foram retomadas no domingo)
  • 27 pessoas foram atendidas e liberadas
  • A primeira informação dos bombeiros dava conta de 20 desaparecidos, mas o número foi atualizado para 3 logo depois
  • Bombeiros e Polícia Civil estão no local; a Marinha foi acionada e vai investigar a causa
  • Defesa Civil havia emitido um alerta sobre chuvas intensas na região com possibilidade de “cabeça d’água”; Marinha também investiga por que os passeios foram mantidos

Segundo o Corpo de Bombeiros, pelo menos três embarcações foram atingidas. Até o momento, há confirmação de duas mortes. Mais de 20 vítimas já foram atendidas e liberadas. O Batalhão de Operações Aéreas e uma equipe de mergulhadores trabalham no local.

A prefeitura de Capitólio emitiu uma nota sobre o acidente que aconteceu na cidade. Na nota, a prefeitura afirma que está buscando informações sobre as vítimas e que está em uma ação conjunta com os bombeiros, a Marinha, a Defesa Civil e a Santa Casa da cidade.

Nota da prefeitura de Capitolio
Nota da prefeitura de Capitolio

Durante a manhã, a Defesa Civil de MG havia emitido alerta para chuvas fortes e recomendou que as cachoeiras fossem evitadas. “Chuvas intensas na região com possibilidade de ocorrência de Cabeça D’água nos municípios de Capitólio, São João Batista do Glória e São José da Barra.

Capitolio MG

Capitólio MG

O Corpo de Bombeiros da cidade de Piumhi, que atende a ocorrência, diz que há, pelo menos, 15 vítimas. Segundo o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, uma pessoa morreu.

Por meio de nota, a Marinha do Brasil informou que um inquérito será instaurado para apurar causas, circunstâncias do acidente (Veja nota completa abaixo).

Três pessoas foram encaminhadas em estado grave para Santa Casa de Passos. Uma das vítimas é uma mulher natural de Belo Horizonte, mas que mora no Rio de Janeiro. Outros sete turistas tiveram ferimentos leves e foram levados ao Pronto Socorro de São José da Barra.

Um vídeo que circula pela internet e cuja veracidade foi confirmada pelos Bombeiros mostra o momento em que um dos cânions atinge as lanchas. Veja acima.

acidente capitolio
acidente capitólio

Essa linda paisagem não é 100% natural. Na década de 60 a então hidrelétrica de Furnas teve suas comportas fechadas pela primeira vez, mudando muito a dinâmica hidrogeológica da região. Uma boa porção da região foi inundada por dois rios: o rio Grande e o rio Sapucaí.

A paisagem, que é composta majoritariamente por quartzitos (metamorfismo do quartzo) e rochas areníticas, muito suscetível a erosão fluvial, acabaram dando origem aos lindos lagos que hoje vemos, cercados pelos paredões.

Bom, está chovendo muito, né? Estamos observando diversos sistemas meteorológicos atuando ao mesmo tempo agora no Brasil. ZCAS, ZCIT, sistemas frontais (mas tudo isso é papo pra outra hora). Essa região de Minas Gerais tem tido um grande índice pluviométrico ultimamente.

Essa grande quantidade de chuva + uma ação erosiva fluvial muito acelerada, provocada pelas mudanças humanas agem sobre esses paredões rochosos “se infiltrando” neles. Essa formação quartzítica + arenítica oferece um plano de clivagem (o “plano de corte” de uma rocha) praticamente geométrico. Observem que no vídeo esse paredão rochoso se desprende muito próximo dos 90°, bem reto, numa grande porção de massa.

Além disso, essas paisagens que envolvem grandes paredões rochosos, sendo elas naturais ou não, mas principalmente quando há a intervenção humana, são bem ordinárias do ponto de vista erosivo na base desses paredões, que, quando há uma erosão (tanto pluvial ou fluvial) tendem a se desprender por solapamento, ou seja, no sopé desses paredões (nesse momento vem a voz da Cenira de geomorfo avisando a gente pra nunca ficar no pé de uma escarpa, falésia etc kkk) .

Bom, o que podemos concluir por hora?

Todos os rios seguem um caminho que, num plano teórico, se aproximam de um equilíbrio, entalhando a paisagem onde há menor resistência litológica, ou seja, por onde ele passará mais facilmente. Em outras palavras, na natureza, as coisas buscam o caminho mais lógico que devem seguir, atrás de um equilíbrio. Quando alteramos o curso de um rio (ou dois, no caso), alteramos toda a dinâmica da região. Esses rios passaram milhares de anos comportando essas chuvas que climatológicamente são comuns pra época.

O próprio fato de ter diversas cachoeiras nesses paredões já mostra que há uma considerável fragilidade litológica neles. Em suma, é um cenário lindo, de fato, mas com um potencial erosivo muito grande por conta de intervenções humanas de grande magnitude, como a inundação provocada pela mudança do curso dos rios por conta da hidrelétrica. Como disse, são estudos preliminares sobre a hidrogeologia da região, levando em conta o contexto humano, climatológico, litológico e hidrológico.

Agora, quero reservar o final dessa thread para chamar atenção pro quanto a fomentação ao turismo pode ser importante, mas também o quanto pode ser danosa quando feita sem nenhuma ou com pouquíssima responsabilidade. Na região tem chovido demais. Um local onde a hidrologia já foi brutalmente alterada, com o advento de muita cabeça d’água no curso desses rios, um grande potencial erosivo e, novamente frisando, muita chuva ocorrendo. É de BOM TOM as autoridades permitirem esses passeios turísticos nesses momentos de muita chuva e cabeça d’água?

Via g1 e Thami

 

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